quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

amor

Onde mora a ternura onde a chuva me alaga
onde a água mole perfura dura pedra da mágoa
eu tenho o tempo do mundo tenho o mundo a fora
eu tenho o tempo do mundo tenho o mundo a fora

Quando o carinho acontece quando a garoa é macia
e se cura e se esquece a dor num canto vazio
eu tenho o tempo do mundo tenho o mundo afora
Onde a alma se lava aonde o corpo me leva
onde a calma se espalha onde o porto me espelha
eu tenho o tempo do mundo tenho o mundo a fora
eu tenho o tempo do mundo tenho o mundo a fora

Quando me lembro de tudo quando me visto de nada
e me chove e descubro quanto você me esperava
eu tenho o tempo do mundo tenho o mundo afora

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009


(Ines de la Dressange)

desejo

Só deixo meu coração na mão de quem pode
Fazer da minha alma suporte para uma vida insinuante
Insinuante anti tudo que não possa ser

Bossa Nova Hard Core
Bossa Nova Nota Dez


Quero dizer, eu to pra tudo nesse mundo
Então, só vou deixar meu coração, a alma do meu corpo, na mão de quem pode

Na mão de quem pode e absorve
Tanto no céu que no inferno
Inspiração de Mutação
Da vagabunda intensão
De se jogar na dança absoluta da matança do que é tédio, conformismo, aceitação

E eu fico aqui vou te levando nessa dança
Sobre o mundo
Pode tudo do amor
Pode tudo do amor

Porque eu não quero teu ciúme que é o cúmulo
Ciúme é o acúmulo de dúvida, incerteza de si mesmo, projetado
Assim jogado como lama anti-erótica na cara do desejo mais intenso de ficar com a pessoa

Eu não to a toa
Eu sou muito boa

Eu sou muito boa pra vida
Eu sou a vida oferecida como dança
E eu não quero "te dar gelo"
Diabos que o carregue

Vê se aprende, se desprende
Vem pra mim que sou a esfinge do amor
Te sussurrando
Decifra-me, decifra-me


Só deixo minha alma, só deixo o coração
Só deixo minha alma na mão de quem pode


vê se aprende, se desprende

Só deixo minha alma, só deixo meu coração
Na mão de quem ama solto!

(música de Kátia B.)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

poesia é uma pulga

"Um gnomo
cuspiu pra cima,
rebolou,
no faz-de-conta,
plantou
uma bananeira,
xaxou
a noite inteira,
botou
a língua pra fora,
disse
um verso bem bonito
e virou
doce de abóbora. "

A poesia é uma pulga

da infância

encontrei, subitamente,
sem me lembrar,
só por sentimento,
um livro da minha infância,
no meio de uma biblioteca.
me lembrei dele pela cor
e pela forma da letra.
aí vai uma das poesias:

"A poesia é um apulga,
coça, coça, me chateia,
entrou por dentro da meia,
saiu por fora da orelha,
faz zumbido de abelha,
mexe, mexe, nao se cansa,
nas palavras se balança,
fala, fala, nao se cala,
a poesia é uma pulga,
de pular nao tem receio,
"

A poesia é uma pula. Sylvia Orthof. Atual Editora.